Arquivo da tag: Lupatech

1512808_10152240709349304_1110656554_n (1)

Fim da Greve: Com intermédio do TRT, Lupatech e trabalhadores chegam a acordo

Da Redação (26/02/14)
1013784_10152232810414304_151290407_n

Trabalhadores discutiam o andamento da greve 3 dias antes da audiência no TRT.

Após uma semana de greve trabalhadores da empresa Lupatech, unidade de Catu, voltarão as atividades nas 07 sondas que atuam na Bahia. Uma série de reivindicações estava na pauta dos trabalhadores, em especial a mudança do plano de saúde. As negociações entre trabalhadores e a empresa foi iniciada há 4 meses, contudo, não houve avanços e mais de 500 trabalhadores entraram em greve. A empresa Lupatech atua na prestação de serviços de sondas para a Petrobras e reúne na unidade da Bahia os trabalhadores das antigas San Antonio International (ex-Sotep) e Prest.

A greve foi parar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), após uma ação de dissídio coletivo originada pela empresa. A reunião de conciliação ocorreu nesta última segunda (24) e um acordo foi fechado, considerado razoável para os trabalhadores. De acordo com informações do sindicalista Radiovaldo Costa a mediação do presidente do Tribunal foi importante para um desfecho positivo entre empresa e funcionários. “Foi também de extrema importância a mediação realizada pelo presidente do Tribunal, o Desembargador Valtércio de Oliveira, que buscou sensibilizar a direção da empresa no atendimento das reivindicações dos trabalhadores”, comentou Radiovaldo, comemorando a conquista da principal reivindicação da categoria que foi a mudança no plano de saúde. Ficou decido também que a empresa não irá descontar os dias de greve.

Entre outras conquistas dos trabalhadores está o equacionamento das diferenças de benefícios, vantagens e salários das empresas San Antonio e Prest. Já o reajuste para os trabalhadores foi de 6,1% e o ticket alimentação ficou no valor de R$ 428,00, ambos retroativos ao mês de setembro do ano passado.

 Fotos: Radiovaldo Costa

1661783_10152230635064304_758844037_n

Lupatech: Trabalhadores mantém greve e empresa recorre ao TRT

Da Redação (21/02/14)
1962860_10202036130839784_461804834_n

Sete sondas da empresa na Bahia continuam paradas.

A greve na empresa Lupatech, com uma unidade em Catu (antiga Sotep), iniciada na última terça (18) foi mantida após decisão dos trabalhadores em assembléia realizada ontem. Entre as principais reivindicações dos trabalhadores está o reajuste salarial, Plano de Saúde, Equalização da situação dos trabalhadores que atuam na Prest e Sotep (subsidiarias adquiridas pela Lupatech), além da participação nos lucros. A empresa não apresentou nenhuma proposta e as sete sondas da empresa na Bahia estão com suas atividades paradas.

De acordo com o SINDIPETRO, a assembléia desta quinta contou com a presença de 242 trabalhadores, sendo mantida a greve com 131 trabalhadores a favor, 101 votaram pelo fim da greve e 10 abstenções. A votação teria ocorrido sobre forte pressão da direção da empresa para que os trabalhadores aprovassem a suspensão do movimento.

Com a manutenção da greve a Lupatech entrou com dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e está agendada uma reunião de conciliação na segunda às 11 horas. A próxima assembléia dos trabalhadores foi marcada para a segunda-feira, às 17 horas, na sede do sindicato em Catu, na qual será decida a manutenção ou o fim da greve.

Veja também: LUPATECH: Trabalhadores da unidade de Catu entram em greve

download

LUPATECH: Trabalhadores da unidade de Catu entram em greve

Da Redação (18/02/14)

Na manhã desta terça (18), trabalhadores da empresa Lupatech (antiga Sotep), prestadora de serviços da Petrobras, entraram em greve. O Expresso entrou em contato com representantes do sindicato que representa a categoria. De acordo com o sindicato a greve permanecerá até a próxima quinta-feira, quando nova assembléia definirá a continuação ou o encerramento da greve, a depender das negociações com a empresa.

Trabalhadores cobram melhores condições salariais e de trabalho.

Trabalhadores cobram melhores condições salariais e de trabalho.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores está o reajuste salarial, Plano de Saúde, Equalização da situação dos trabalhadores que atuam na Prest e Sotep (subsidiarias adquiridas pela Lupatech), além da participação nos lucros.

Os trabalhadores defendem reajuste de 7% nos salários. O impasse resulta também no atual Plano de Saúde eo desconto que tem sido feito nos salários dos trabalhadores. Além da troca da empresa prestadora do Plano de Saúde, os trabalhadores defendem que não haja descontos, que atualmente são considerados onerosos. Já os percentuais na participação nos lucros da empresa ainda não foram definidos.

Após um ano de 2013 turbulento, com demissões em massa, a situação na Lupatech parecia ter se estabilizado. Em 2013 diversas manifestações e paralisações foram realizadas por trabalhadores na empresa.

Foto de capa: Paralisação em 2013 (Arquivo)

998903_10151672215819304_735513219_n

Sindicato confirma 180 demissões na Lupatech em Catu

Demissões serão homologadas ao longo da semana
Avisos de desligamento haviam sido informados no final do mês de julho.
Por: Magnum Seixas
Ao longo desta semana serão homologadas cerca de 180 demissões no quadro de funcionários da Lupatech na unidade de Catu. A empresa que presta serviços de sondas para a Petrobras já havia anunciados avisos de demissões ainda no final do mês passado. Na época 140 trabalhadores haviam sido avisados das demissões que começariam a ocorrer a partir do dia 15 de agosto, segundo o SINDIPETRO. O dia 15 de agosto marcava o fim do período acordado entre a Lupatech e a Petrobras para não ocorrer às demissões. O acordo foi feito após a Petrobras garantir contratos com mais duas sondas da empresa.


Em contato com um dos diretores do SINDIPETRO, Radiovaldo Costa, foi confirmada as homologações das demissões que ocorrerão durante a semana. Ainda segundo Radiovaldo Essas demissões estavam previstas. Eram 295 que estavam previstas. Como conseguimos 2 novas sondas diminuímos esse impacto.

Ainda em julho, em contato com o Expresso um representante do SINDIPETRO informou que a empresa não seguiu um acordo determinado internamente, ao anunciar os avisos de desligamentos dos trabalhadores. Mandaram em torno de 140 pessoas aguardarem em casa para assinarem o aviso no dia 15/08/2013 e já definiram que irão pagar a recisão parcelado em 3X. Iríamos consultar os trabalhadores para saber quem queria ficar e quem queria sair. Em seguida faríamos assembleia na sub-sede para a categoria decidir se aceitaria parcelar a recisão para 3X e só no dia 15/08 começaria avisar os desligamentos, informou o sindicato.(VEJA MATÉRIA)


A crise na Lupatech começou a se aprofundar ainda no início deste ano. A empresa é a maior fornecedora nacional da Petrobras e passou a ter sérios problemas financeiros com o retardamento de operações na camada do pré-sal, nas quais a empresa havia sido contratada e investido para fornecer equipamentos.
998903_10151672215819304_735513219_n

Demissões na Lupatech serão oficializadas a partir do dia 15 de agosto e 140 trabalhadores já foram avisados, informou SINDIPETRO

Sindicato diz que empresa desrespeitou acordo interno e iniciou processo de desligamento de 140 trabalhadores
Demissões atingirão 220 trabalhadores a partir do dia 15, quando termina prazo de acordo com a Petrobras
Por: Magnum Seixas
Em contato com o Expresso, o representante do SINDIPETRO, Alcimar Sacramento dos Santos, informou que ao todo foram 140 trabalhadores afastados das atividades e não os 160 conforme informou o Expresso, anteriormente. Informou ainda que as demissões ainda não foram efetuadas, mas apenas os avisos de desligamentos foram iniciados, para que as demissões se iniciem a partir do dia 15, em função de acordo feito com a Petrobras. Ainda segundo o representante, Mandaram em torno de 140 pessoas aguardarem em casa para assinarem o aviso no dia 15/08/2013 e já definiram que irão pagar a recisão parcelado em 3X. Só tem uma questão, o sindicato irá se mobilizar para dar uma resposta a LUPATECH”.


As demissões começaram a ser oficializadas no próximo dia 15 em função de um acordo existente entre a LUPATECH e a Petrobras, que garantiu a prestação de serviços de mais duas sondas da empresa e em troca a Lupatech seguraria por 1 mês as demissões dos trabalhadores. De acordo com o sindicalista Radiovaldo Costa, as demissões devem alcançar 220 trabalhadores. Isso porque o acordo feito com a Petrobras, que garantiu duas sondas, demandam apenas 80 trabalhadores e o excedente de trabalhadores resultantes das sondas paradas da empresa chegam a 300.


O sindicato afirma que a Lupatech não tem respeitado um acordo realizado internamente. “Iríamos consultar os trabalhadores para saber quem queria ficar e quem queria sair. Em seguida faríamos assembleia na sub-sede para a categoria decidir se aceitaria parcelar a recisão para 3X e só no dia 15/08 começaria avisar os desligamentos, informou Alcimar.

969910_10151723238914304_402551297_n

LUPATECH inicia demissões que atingirão 220 trabalhadores em Catu

Demissões já eram esperadas com o aprofundamento da crise na empresa
Medida da Petrobras de manter duas sondas da empresa assegura apenas 80 empregos.
*Atualização
Mandaram em torno de 140 pessoas aguardarem em casa para assinarem o aviso no dia 15/08/2013 e já definiram que irão pagar a recisão parcelado em 3X. Só tem uma questão, o sindicato irá se mobilizar para dar uma resposta a LUPATECH”, informou SINDIPETRO.

Por: Magnum Seixas 

Desde a última segunda (29), cerca de 160 trabalhadores da unidade da Lupatech em Catu já teriam sido demitidos, segundo informações que obtemos de trabalhadores da empresa. Cerca de mais 60 funcionários serão demitidos nos próximos dias. O Expresso foi informado das demissões por trabalhadores da empresa, que também confirmaram os números das demissões ao vereador Índio (PSB). Entramos em contato com a empresa na base em Catu e com as unidades Rio de Janeiro e São Paulo para obter maiores informações, contudo até o fechamento desta matéria não obtivemos respostas sobre os últimos acontecimentos.



Trabalhadores já haviam realizado paralisação no dia 21 de junho.
Foto: Radiovaldo Costa
Mantivemos contato com o sindicalista e vereador de Alagoinhas, Radiovaldo Costa, que se encontra em Brasília tratando de assuntos relativos a desativação ferroviária de linhas ligadas ao município de Alagoinhas. Radiovaldo explicou os últimos acontecimentos ligados a Lupatech em Catu, “Por conta das Sondas que pararam significou um excedente de cerca de 300 trabalhadores. A empresa não demitiu os mesmo por conta da falta de recursos. Conseguimos a reativação de 2 sondas na reunião com a Graça e o compromisso que em um prazo de 30 dias não haveria demissões. As duas sondas significam a geração de 80 empregos. Com isso a empresa ainda fica com um excedente de 220 trabalhadores das demais sondas que foram paradas Sendo assim, no próximo dia 15/08 termina o prazo pedido pela presidente para não demitir. Desta forma a empresa esta realizando uma apresentação com os trabalhadores do plano de demissão que será realizado”.
A situação da empresa vinha se complicando desde o ano passado, mas se agravou este ano. Ainda em meados deste mês, sindicalistas e representantes políticos baianos se reuniram com a presidente da Petrobras, Graça Foster, na qual pressionaram pela manutenção dos investimentos da empresa em Catu e pediram medidas que socorressem as empresas terceirizadas, preservando desta forma milhares de empregos. Uma das medidas adotadas pela presidente da Petrobras foi assegurar a manutenção de pelo menos duas sondas da Lupatech. Contudo, a medida apenas assegura um contingente mínimo de trabalhadores.
1010329_10151724238364304_1598142525_n1

Petrobras evitará a demissão de 300 funcionários da Lupatech em Catu

Reunião discutiu a situação da produção em terra da Petrobras.
Foto: Radiovaldo Costa
Por: Magnum Seixas
Após reunião com lideranças do segmento de Petróleo da Bahia, a presidente da Petrobras Graça Foster, determinou a prorrogação por 30 dias do contrato com a terceirizada Lupatech, localizada em Catu. De acordo com o Sindipetro, a empresa iria demitir nesta terça cerca de 300 funcionários. Segundo o sindicalista Radiovaldo Costa, “Com relação aos problemas enfrentados pelas empresas Lupatech, Sertel e BCH, que pode significar a demissão de cerca de 1600 na Bahia, Espirito Santo e Rio Grande do Norte em um prazo de 30 dias, a presidente solicitou ao Diretor Fumigli, que entre em contato com as empresas e estabeleça um prazo de 30 dias, suspendendo possíveis demissões nessas empresas e buscando alternativas para resolver os problemas que apresentamos.”


A reunião teve como pauta os problemas enfrentados pelo segmento de petróleo na Bahia, sobretudo o nível de investimento da Petrobras e seus reflexos sobre a cadeia produtiva. Juntamente com outros 4 diretores da Petrobras, Graça Foster garantiu o investimento de 1,7 bilhões de dólares na Bahia em 2013 e 2014. Sobre a possível transferência da COFIP para o Rio de Janeiro, o que representaria a eliminação de 635 empregos, Foster garantiu que não vai ocorrer, pois não faria sentido levar o Tributário sem a Contabilidade. Foster desautorizou qualquer especulação na empresa sobre esta mudança.

Ficou agendada para esta terça (167), nova reunião entre o Sindipetro, FUP e parlamentares, com o gerente Mauro Mendes, para apuração dos fatos.Ainda segundo Paulo César, a presidente da Petrobrás tomou conhecimento da gravidade que envolve o processo de contratação das terceirizadas e das dificuldades financeiras de muitas delas, com demissões de centenas de trabalhadores tanto nas áreas da E&P como na de sondagem.

969910_10151723238914304_402551297_n2

Com 30 sondas paradas, Sindicato vai ao Rio discutir situação da Petrobras na Bahia

Cerca de 30 sondas estão paradas no estado. Na foto, sondas sem atividade no páteo da Lupatech em Catu.
Foto: Radiovaldo Costa
Por: Magnum Seixas
Nesta segunda (15), a situação dos investimentos da Petrobras na Bahia foi pautada em reunião com o sindicato dos petroleiros. De acordo com a publicação do sindicalista Radiovaldo Costa em seu perfil do Facebook, estava agendado para esta segunda uma importante reunião no Rio de Janeiro com a presidente da Petrobras, Graça Foster. A pauta da reunião, que contou com parlamentares baianos, são os investimentos da Petrobras na Bahia, especialmente no segmento de sondagem de produção e perfuração. Empresas do segmento como a Sertel e a Lupatech passam por situação delicada. Ainda de acordo com o sindicalista existem cerca de 30 sondas paradas, sendo que somente a Lupatech, com sede em Catu, está com 10 sondas sem atividades.

Para Radiovaldo, “A indústria do petróleo na Bahia ainda é um negócio muito estratégico e importante para a geração de empregos e distribuição de impostos para os municípios produtores […] Além da questão empresarial, vamos cobrar da Petrobras, como empresa pública a sua responsabilidade social no nosso estado e região. Aqui também estamos na luta pela geração e manutenção de empregos e desenvolvimento da nossa região”.

magnum seixas

Criação de Organização dos Municípios Produtores de Petróleo da Bahia é alternativa para defesa dos interesses locais

Nos últimos anos a economia do petróleo na Bahia tem sofrido severas restrições, com a clara intenção da Petrobras de se afastar das produções menos rentáveis. 

A situação, especialmente na Bahia, havia ganhado uma sobrevida com a gestão do baiano José Sergio Gabrielli a frente da Petrobras, durante o governo Lula. Contudo com a mudança de gestão na empresa no governo da presidenta Dilma a situação volta a ficar extremamente delicada. A produção no estado se mantém estável a custa da precarização das atividades imposta pelo endurecimento da Petrobras. Acidentes e mortes são frutos da queda dos investimentos em resposta ao menor aporte de recursos pelas empresas prestadoras de serviços (Veja Matérias: Vigilante é morto durante assalto em campo terrestre na Bahia e Em menos de um mês ocorreram dois graves acidentes envolvendo sondas da Lupatech)

Como consequência das medidas de austeridade fiscal da Petrobras na região, diversas empresas começam a demonstrar dificuldades, afetando empregos e rendas nos municípios produtores e diretamente impactados pelas atividades petrolíferas.

Além da crise que se instalou na Lupatech, outras empresas já demonstram dificuldades, como é o caso da americana M-I SWACO (incorporada pela francesa Schlumberger) e da recém-chegada canadense Calmena, impactadas pelas medidas austeras da Petrobras na região. Outro impacto relevante será o fechamento da URGN localizada na área industrial de Santiago. A segunda maior empregadora do setor em Catu, a Perbras (empresa do segmento de sondas), também estaria atuando em níveis bastante abaixo da sua capacidade. Algumas sondas da própria Petrobras também estão paradas.

De novembro do ano passado até agora cerca de 4 sondas de perfuração pararam, impactando diretamente na para-petrolífera M-I Swaco, instalada no município de Catu,  que atua no segmento de fluídos com quase 200 funcionários. O impacto sobre a empresa da paralisação das sondas foi forte, assim como a inflexibilidade contratual da Petrobras, fazendo com que a empresa resgistre um número elevado de demissões que pode chegar a 1/3 do seu quadro de funcionários.

Em conversa com Radiovaldo Costa, o diretor da SINDIPETRO me informou que a Petrobras têm atuado de forma muito dura nas negociações de preços com as mais diversas empresas e como consequência desta política as empresas estão passando por sérias dificuldades, em função dos preços muito baixos provocados pela alta concorrência, estimulada pela própria Petrobras. Agrava a situação a prática dos chamados ‘descontos’ que estão sendo exigidos no fechamento dos contratos, isto é, além do preço muito baixo provocado pela concorrência as empresas ainda estão tendo que dar descontos diminuindo as margens financeiras para atuação destas empresas num setor que envolve riscos e custos elevados.

O atual cenário só corrobora a tese de afastamento da Petrobras dos antigos sítios de produção e os desdobramentos deste processo precisa ser acompanhado de perto pelos gestores de municípios que são fortemente influenciados e impactados pelas atividades petrolíferas.

Novos marcos regulatórios para a produção em campos terrestres são necessários e estão em discussão. A principal questão tratada é a abertura destas produções as chamadas empresas independentes que, por possuir outros métodos e concepções de atuação, precisa ser bem analisada a inserção destes agentes.

As incertezas são grandes e participação dos principais interessados será fundamental para dilui-las e apontar um projeto que mantenha os níveis de produção, sem afetar o padrão de emprego e as rendas geradas, até mesmo as governamentais, como os royalties, que é uma das principais exigências das independentes, a diminuição das alíquotas.

A criação de uma organização dos municípios produtores

A manutenção das atividades de petróleo na Bahia é um objetivo que faz os municípios produtores e impactados convergirem. Mais que isso, estes municípios precisam se articular na defesa dos seus interesses, conforme ocorre no Rio de Janeiro, onde os municípios se aglutinaram em organização para acumular força política nas discussões a cerca das questões do petróleo (Conheça a OMPETRO, que reúne os 10 municípios maiores produtores do Rio de Janeiro).

Entre os municípios Baianos este movimento é fundamental. Caberia aos principais municípios beneficiados com estas atividades puxar a criação deste órgão representativo. Entre os municípios destaca-se a Catu o papel de ancora para desempenhar esta articulação, uma vez que é um dos mais impactados e refém destas atividades, tendo cerca de 30% dos trabalhadores empregados nesta indústria. É em Catu que se aglutina a maior massa de mão de obra da indústria petrolífera no estado da Bahia, tanto na extração como nas atividades de apoio. É no município que estão os principais agentes da produção, as empresas para-petrolíferas.

Cabe fundamentalmente aos municípios com forte produção estimularem o processo, como Esplanada, Pojuca, Alagoinhas, Entre Rios, Araças, São Sebastião, entre outros. São pelo menos 20 municípios na Bahia com relações estreitas com as atividades petrolíferas.

Desta forma a proposta de construção da Organização dos Municípios Impactados e Produtores de Petróleo da Bahia é essencial para que estes municípios consigam ter um pouco de influência nas atividades que tanto interferem  e determinam as suas estruturas produtivas, definindo a realidade socioeconômica de suas populações.


Veja Também:
Entrevista: Radiovaldo Costa, Diretor do SindiPetro fala sobre situação da Lupatech
Qual o impacto da crise da Lupatech sobre a economia catuense
Petróleo: Bahia mantém a maior produção desde 2005

magnum seixas

Qual o impacto da crise na Lupatech sobre a economia catuense?

Quando trouxemos uma série de reportagens sobre a crise financeira da Lupatech, poucas pessoas se deram conta da magnitude dos efeitos negativos socioeconômicos que podem acarretar sobre o município.

A Lupatech em Catu só emprega menos do que a prefeitura, que possui cerca de 1.400 funcionários (entre efetivos, temporários e comissionados).

Ainda assim, os níveis de salários médios do setor onde se encontra a Lupatech é muito superior aos ofertados pela prefeitura. Salário médio em 2011 de R$ 3 mil do setor de serviços de apoio a extração de petróleo e gás no município, segundo a Ministério do Trabalho.

Somente a unidade da antiga Sotep possui 896 funcionários, de acordo com a FIEB, isto é, cerca de 10% de todos os empregos formais do município (De acordo com a RAIS 2011).

Aprofundada a crise na Lupatech, estima-se que somente com salários, deixariam de circular na economia local algo em torno de R$ 3,3 milhões mensais ou R$ 40 milhões anuais.

Impacto semelhante ao de uma paralisação nos pagamentos de salários da prefeitura local (gastos com pessoal em torno de R$ 40 milhões em 2012).

O comércio local sabe bem o tamanho do problema que isso representa.

Obvio que nem todos os trabalhadores da Lupatech são do município de Catu, mas uma quantidade expressiva residem. Da mesma forma ocorre na prefeitura, especialmente entre os concursados. Por isso a comparação.

Outro impacto relevante, mas difícil de mensurar, são as compras de bens e serviços realizados pela empresa, quer dizer, a rede de fornecedores.

Para o funcionamento de uma empresa deste porte é necessário a compra de bens mais simples, assim como os mais concentrados em tecnologia. Da mesma forma com os serviços exigidos, dos mais simples aos mais intensivos em especialização.

São fornecimentos que movimentam milhões de reais anualmente, assim como geram centenas de empregos. Alimentação e transporte dos trabalhadores, serviços clínicos e médicos, hotelaria, metalurgia, serviços mecânicos, lavagem industrial, entre outros inúmeros.

Ao romper o fornecimento, uma empresa deste porte, compromete a cadeia e tem um efeito multiplicador inverso, na geração de emprego e renda.

O impacto social

Contudo, nos cabe observar ainda com mais sensibilidade os impactos sociais diretos. A criação de uma massa de desempregados, diretamente ligada a empresa, diretamente ligada aos fornecedores e indiretamente na economia local impactada pelo menor nível de consumo com a perda de uma massa de salários importante.

Os trabalhadores que perdem o emprego na empresa podem com o tempo ter a possibilidade de novas colocações no mercado de trabalho, em função da maior especialização e experiência adquirida. Inclusive boa parte destes podem ser absorvidos por outras regiões produtoras.

Mas até ai a ruptura da cadeia comercial já comprometeu a economia local que estará num nível mais reduzido da produção de bens e serviços.

As possibilidades

Parecem existir duas alternativas bem restritas em caso de aprofundamento da crise na empresa: A Petrobras voltar a fazer licitação com os serviços ganhos pela Lupatech ou a própria Petrobras incorporar estas atividades por meio da criação de uma subsidiária.

A Petrobras realizaria novas licitações em caso de encerramento das atividades pela empresa na região. Ao licitar uma nova empresa ganharia os serviços, que pode ser uma empresa já atuante na região ou não. Contudo essa via seria de grande incerteza para a massa de trabalhadores que atua hoje na Lupatech.

A outra possibilidade, conforme defende o Sindicato dos Petroleiros (SINDPETRO), seria a incorporação dos ativos e passivos da empresa pela Petrobras por da criação de uma subsidiária, o que manteria as atividades e os empregos dos trabalhadores (Veja entrevista com Radiovaldo Costa do Sindpetro).

É uma alternativa complicada, mas possível, visto que já ocorreu em outros casos de crises de empresas importantes do setor.

Seria a melhor alternativa diante do cenário exposto.

Em conversa com o sindicalista e vereador do município de Alagoinhas, Radiovaldo Costa,  me revelou que uma campanha poderia ser levantada no sentido de buscar a preservação dos empregos e das atividades das unidades por meio da incorporação pela Petrobras. Para esta campanha ganhar forma será preciso o empenho da sociedade e do poder público.

Em Catu, como o caso é de amplo interesse público, ressaltou a necessidade de levantarmos esta campanha juntamente com o administração municipal.

De fato a situação é extremamente delicada. Seria prudente que o governo municipal acompanhasse o desenrolar desse processo e avaliar as possibilidades diante do que venha a se concretizar.